ZHARA E A ETERNIDADE
O PRINCIPIO, O MEIO E O SEM FIM.
Era como se a cada dia ela visse o mundo um
passo mais distante e seu corpo já não pudesse segurar nele a alma dentro...
A sua mente olhava ceticamente para os
eventos sabendo que tudo não passava de um sonho de repetição.
Cada golfada de ar se desapegava mais
rapidamente do seu pulmão e seus pés já se cansavam mais rapidamente da
correição.
Seus olhos mais para dentro colocavam a sua
atenção e um aperto no peito mais vezes sufocava o coração.
As mãos branquinhas mais vezes se fechavam
numa oração e um novo alento a orientava para uma doação de amor, paciência,
fé, carinho e devoção.
Olhos ao alto reconheciam constantemente que a busca chegava
praticamente ao fim e que a conclusão deste ato teatral estava longe de ter um
epilogo, estava mais para “to be continued...”
Ao corrermos pela senda desta vida deixamos atrás as marcas
das pegadas dos cascos do cavalo da morte, corremos e ele corre, talvez seja a informação
mais importante deixada na terra para que saibamos como medir a importância das
coisas e das ações.
Zhara virou-se para o lado na poltrona confortável da varanda
e uma lagrima grossa e quente deu-lhe o carinho que tanto necessitava naquele
momento...
Toda uma vida buscando a resposta para a angústia a respeito
da eternidade, da existência, do sentido dessa luta toda, a que se resumia
agora? Time out? Game over?
Lembrou-se mais uma vez daquela estória espirita de uma jovem
que viajara em corpo astral a vênus e conhecera a sociedade extremamente
superior e evoluída em relação a nossa bem como seu modo de vida e passou a
desejar tanto aquele balsamo em sua existência que tornou-se um ser humano
maravilhoso, quase perfeito, tanto que ao morrer ganhou como reconhecimento o
prêmio de reencarnar lá, quem dera...

Comentários
Postar um comentário